Transformação digital não é destino. É o primeiro passo para transformação dos negócios na era digital

Transformação digital não é mais uma discussão sobre o futuro, mas já está presente no dia a dia, afetando empresas, sociedade e sendo a base para a a criação de novos modelos de negócio. Participando de diversos eventos com CIOs ficou claro que a maioria, embora ciente dos desafios impostos pela transformação digital, por várias razões, inclusive pressão pelo curto prazo e crise econômica, não dedica tempo adequado a se preparar e preparar a sua empresa. Recomendo enfaticamente aos CIOs e aos demais executivos a olhar pelo menos cinco anos à frente e investir no mínimo uns 10% de seu tempo a se preparar para este desafio.

Devemos olhar o cenário dos próximos cincos anos, até 2020, com a consciência que a transformação é exponencial e não linear. Isso significa que, para entender a amplitude do que vem pela frente, no mínimo devemos olhar para dez ou quinze anos atrás, e ver o presente à luz das mudanças comparadas com este passado recente. Em 2005 não havia iPhone, tablets, Internet banking era incipiente (mobile banking nem pensar…), e-commerce estava começando, Facebook, Twitter, WhatsApp, Skype, Waze, Uber, Airbnb ou não existiam ou estavam dando seus primeiros passos e mal imaginávamos o que seriam hoje e como mudariam nossos hábitos. A recente crise do bloqueio WhatsApp aqui no Brasil mostrou isso. Ficar doze horas sem ele foi um stress imenso. E ele apareceu apenas em 2009 e por aqui começou a se alastrar a pouco mais de 2 a 3 anos.

O nosso pensar de forma linear quando a evolução é exponencial nos leva a terrível armadilha de subestimar o impacto das transformações. No início dos anos 80s, a conceituada consultoria McKinsey aconselhou a AT&T a não entrar no mercado de telefonia a móvel, prevendo que em torno do ano 2000 este mercado não chegaria a um milhão de aparelhos, devido ao seu alto custo. No ano 2000 haviam 100 milhões de celulares. O erro de 99% fez com que a AT&T perdesse a grande onda da mobilidade. Outros exemplos de previsões de futuro baseados no pensamento linear estão por toda a parte. Em 2009 o Gartner previu que em 2012 o sistema operacional móvel mais popular seria o Symbian, com Market share de 39%, e o Android não chegaria nem a 15%. A realidade? Em fins de 2012 a Symbian saiu do mercado e Android já era o líder do setor. O risco de mantermos nosso pensamento linear, quando a evolução é exponencial, ou seja, dobrando a cada poucos anos, é que cada erro de previsão é de 50%. Se errarmos em poucas provisões, simplesmente não teremos mais condições de nos mantermos no mercado. Já estaremos ultrapassados e tornados obsoletos.

Sugiro também, para olhar à frente quebrando o paradigma da visão linear, ver o excelente vídeo do futurista Gerd Leonhard no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=JbPUdJorBKY ). É longo, cerca de 75 minutos, mas extremamente instigante. É um excelente investimento de tempo.

Alguns comentários sobre a apresentação dele. Um ponto que ele chama atenção é que as mudanças não podem ser impedidas por legislação ou lobby protecionista. Cita o caso da indústria de música, que teve o modelo de negócios baseados em CDs simplesmente destruído. Lembra que os vencedores da indústria em seu momento atual, streaming, não são as poderosas gravadoras que dominavam a indústria, mas empresas de tecnologia recentes como Apple, Facebook e Spotify. Aborda o cenário dos veículos autônomos, que devem se disseminar em ritmo muito mais intenso e acelerado que as primeiras estimativas, o que vai afetar muitas profissões e industrias, da própria indústria automotiva, passando por seguros de veículos e chegando aos motoristas e taxistas.

No futuro, segundo ele, nós não vamos precisar efetuar buscas como hoje, porque os assistentes pessoais (como o Google Now) já vão saber o que estamos querendo. Ele vislumbra uma verdadeira guerra entre os assistentes pessoais, como o Siri da Apple, Google Now, Moneypenny do Facebook e Echo (Amazon) pela preferência do mercado. Estes assistentes farão com que o usuário escolha uma ou outra plataforma.

O crescimento da Inteligência Artificial vai afetar muitas profissões e ele cita que é provável que pelo menos 50% das assessorias financeiras prestadas hoje por bancos e especialistas serão efetuadas automaticamente, self-service, por algoritmos. Segundo Gerd, automação, robótica, assistentes inteligentes e IA irão transformar a sociedade, cultura e negócios. Os impactos transformadores virão da combinação do que ele chama de 7-actions: Digitization, Dematerialization, Automation, Virtualization, Optimization, Augmentation e Robotization. Os desafios são muitos. O pensamento futuro passa a ser fundamental. Se quisermos efetivamente criar novas fontes de valor, temos de entender o sentido para onde todas estas mudanças estão nos conduzindo. E infelizmente, há muito pouco da experiência coletiva que podem nos ajudar a trilhar o caminho pelo tipo de mudanças disruptivas que vemos à frente. Nos basearmos em best practices, é, portanto, impossível, pois elas simplesmente ainda não existem.

Um exemplo de como a mudança exponencial é subestimada foi o Human Genome Project. Foi lançado em 1990, com estimativa de ser concluído em 15 anos a um custo de US$ 6 bilhões. Em 1997, metade do prazo, apenas 1% do genoma humano tinha sido sequenciado. Pelo planejamento linear que nós adotamos, supondo 1% em 7 anos, levaríamos 700 anos para concluir o sequenciamento. Parece lógico não? A pressão para encerrar o projeto foi imensa, mas quando perguntaram ao futurista Ray Kurzweil, ele disse “1% significa metade do caminho. Vão em frente!”. Ele pensou exponencialmente. 1% dobrando a cada ano significa chegar aos 100% em 7 anos. O projeto foi concluído em 2001, quatro anos antes do planejado e custando muito menos dinheiro que o estimado. O pensamento linear, tradicional, errou o alvo por 696 anos!

As disrupções estão à nossa volta. Imaginarmos que só vai ocorrer com os outros setores e que o Brasil estará imune, não vai impedi-las de chegarem aqui. Podemos ter até um certo espaço de tempo entre as mudanças correndo lá fora e aqui no país, mas que irão chegar, é inevitável. Willian Gibson escritor futurista, que criou o termo cyberspace, disse “”Como eu tenho dito muitas vezes, o futuro já chegou. Só não está uniformemente distribuído.”

Portanto, a pior decisão é ficar esperando as coisas acontecerem. Ou imaginar que o futuro só afetará os outros negócios, pois o seu é sólido hoje…

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